
Danielle Cândido
Aos 18 anos, no dia do próprio aniversário, Keyla Adiene, supervisora de apoio administrativo da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), chegou à então Escola de Ciências Médicas de Alagoas (Ecmal), em 1986, estrutura que daria origem à instituição. Era o início de uma trajetória que cresceria no mesmo ritmo da universidade, fundada em 1968, no mesmo ano em que ela nasceu.
Ao longo do tempo, a permanência na universidade deixou de ser apenas circunstancial e passou a ser uma escolha. A Biblioteca, onde iniciou a trajetória, deixou de ser apenas o primeiro espaço de trabalho e passou a representar um vínculo permanente com a instituição. “Eu já tinha sido contaminada. A questão financeira não me fez ir para outro lugar”, afirma, destacando que nem mesmo oportunidades mais atrativas alteraram sua decisão.
Foi na Biblioteca que conheceu Tânia Veras, coordenadora da Biblioteca da Uncisal, que já acumulava anos de atuação e conduzia a organização do setor. “A Uncisal é a minha casa, a minha identidade”, resume. A relação entre as duas se consolidou ao longo do tempo, dentro e fora do ambiente de trabalho. “Nós somos mãe e filha, irmãs, amigas”, descreve Keyla.
Construção institucional
Quando chegou à instituição, Tânia encontrou uma estrutura distante do que hoje se reconhece como biblioteca. “Parecia que tinha passado um terremoto”, lembra. Segundo ela, o espaço funcionava, na prática, como uma sala com livros, sem organização adequada e com limitações de recursos.
A partir desse cenário, iniciou-se um processo de estruturação que acompanhou o crescimento da própria universidade. Catalogação manual, busca de materiais em editoras e organização de acervo passaram a fazer parte da rotina. “Era amor mesmo, era dedicação”, relata.
Esse esforço não se restringia às funções formais. “A gente carregava livro na cabeça para a biblioteca funcionar”, conta Keyla. Segundo ela, a atuação das equipes envolvia assumir tarefas diversas para garantir o funcionamento do espaço.
Com o tempo, a biblioteca também passou a cumprir um papel central na formação acadêmica. Em um período em que não havia metodologia estruturada para trabalhos científicos, Tânia passou a orientar estudantes na elaboração de pesquisas e trabalhos de conclusão. A atividade, segundo ela, surgiu da necessidade dos próprios alunos e foi sendo incorporada à rotina.
O envolvimento ultrapassava os limites institucionais. “Minha casa ficava aberta para eles irem lá estudar”, explica. A prática revela a dimensão do vínculo estabelecido com os estudantes naquele contexto.
Decisões que permanecem

Ao mesmo tempo, a atuação de Tânia deixou marcas na organização acadêmica. A estruturação da biblioteca e o apoio à pesquisa contribuíram para a formação de gerações de estudantes, em um período em que muitos processos ainda estavam em construção dentro da instituição.
Com a consolidação da universidade, algumas definições institucionais passaram a estruturar o funcionamento atual. Entre elas, a criação de uma pró-reitoria voltada à gestão de pessoas.
À época, a proposta inicial previa a junção com a área administrativa. “Eu não concordava com isso”, afirma Keyla. Segundo ela, a defesa de uma estrutura específica para a gestão de pessoas foi levada a uma assembleia institucional. A proposta foi aprovada e resultou na criação da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp), iniciativa para a qual ela contribuiu naquele momento. “Hoje a Progesp existe e eu sei que contribuí para isso”, avalia.
Escolhas que criam vínculo e atravessam gerações

Ao longo da trajetória, as decisões pessoais também reforçaram a relação com a universidade. Após concluir a formação e ser aprovada em concursos, Keyla teve a opção de assumir outro cargo com remuneração superior.
A escolha foi permanecer na Uncisal. Segundo ela, o vínculo já estabelecido com a instituição teve peso decisivo e foi construído ao longo dos anos de convivência e trabalho.
Esse vínculo também se expressa na relação com os estudantes. O contato próximo ao longo dos anos resultou em laços que permanecem. “Eles voltam, querem ver a gente, tiram foto, choram”, relata Tânia.
Segundo ela, o retorno de ex-alunos revela a dimensão da experiência vivida durante a formação. Em alguns casos, a relação construída na universidade acompanha trajetórias de transformação social. “Tinha aluno em situação de vulnerabilidade que se formou e mudou de vida”, afirma.
Os relatos de Keyla e Tânia apontam para a atuação da universidade na formação de profissionais e na sua presença na área da saúde em Alagoas.
Crescimento e novos desafios

Hoje, a universidade apresenta uma estrutura ampliada, com cursos diversos, programas de pós-graduação e unidades assistenciais que atendem à população alagoana.
“A gente cresceu junto com a universidade”, diz Keyla. Segundo ela, o desenvolvimento institucional envolveu expansão física, qualificação acadêmica e reconhecimento.
Entre as expectativas para os próximos anos, ela cita novos projetos e a possibilidade de maior autonomia administrativa. Já Tânia aponta para a continuidade do trabalho coletivo. “Essa universidade vai crescer ainda mais”, afirma.
Mais do que histórias individuais

As trajetórias apresentadas não são isoladas. “Tem muitas outras pessoas como a gente aqui dentro”, observa Keyla. Segundo ela, a história da universidade é construída por diferentes servidores ao longo do tempo, em diferentes setores e funções.
Ao longo das décadas, essa construção coletiva atravessou mudanças estruturais, expansão de cursos e fortalecimento da atuação na saúde pública. Para quem acompanhou esse processo de perto, o vínculo vai além do trabalho cotidiano.
Para Tânia, essa relação sintetiza uma vida inteira dedicada à instituição. “Tudo”, resume. Definição que ultrapassa o trabalho e se confunde com a própria trajetória de vida.
Aniversário da Uncisal

A entrevista com as servidoras Tânia Veras e Keyla Adiene integra um episódio do UnciCast, podcast institucional disponível no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=Zy9m_TLhaLo), produzido em alusão aos 58 anos da universidade, comemorados em 2 de maio de 2026.
Como parte da programação comemorativa, a instituição realiza a 1ª Corrida UNCI RUN, no dia 31 de maio (domingo), no campus da universidade, no bairro Trapiche da Barra, em Maceió. Com concentração e largada no próprio campus, o evento contará com percursos de 2,5 km e 5 km, além de categoria infantil (Kids), reunindo estudantes, servidores e a comunidade em geral.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link: https://www.ticketsports.com.br/e/unci-run--86430
A iniciativa integra as ações de aniversário e propõe ampliar a relação da universidade com a sociedade por meio do incentivo à prática esportiva e à convivência coletiva.
