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Patrícia Barros
A Pró-reitoria de Extensão (Proex) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) lançou, no último dia 8 de abril, o programa de extensão Raízes Conectadas, uma iniciativa que nasce com o propósito de integrar ancestralidade, cultura popular e educação como instrumentos de transformação social.
Mais do que um conjunto de ações, o programa se apresenta como um ponto de encontro entre saberes tradicionais e o conhecimento acadêmico, valorizando expressões culturais como a capoeira, o maracatu e o uso das ervas sagradas, além de promover a formação crítica por meio da educação étnico-racial.
A programação de lançamento contou com a inauguração do espaço “Jardim de Ervas Sagradas – Caminhos das Folhas”, um espaço localizado no jardim da Uncisal dedicado ao reconhecimento dos saberes ancestrais.
O evento também foi marcado por apresentações culturais de capoeira e maracatu, reforçando a importância dessas manifestações como formas de resistência, identidade e educação.
O programa Raízes Conectadas é estruturado em quatro projetos interligados: capoeira, maracatu, Caminhos das Folhas (ervas sagradas) e o UEDJA (Uncisal na Educação Étnico-Racial pelos Direitos Humanos e Justiça Social), que atua como eixo formativo teórico em políticas afirmativas.
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Coordenadora do programa, a professora Sandra Bomfim destacou o caráter integrado das ações e o diferencial da proposta. “Acreditamos que os processos educativos em relação à equidade precisam ser experienciais. Quando o estudante vivencia essas manifestações culturais, ele se forma de maneira mais ampla e se torna capaz de contribuir na formação de outras pessoas”, afirmou.
Sandra Bomfim também ressaltou o conceito de “reconciliação epistêmica”, desenvolvido em sua trajetória acadêmica. “Para que haja um verdadeiro diálogo intercultural, é preciso reconhecer o outro como igual. Durante muito tempo, os saberes tradicionais foram excluídos da academia. Nosso objetivo é trazer esses detentores de conhecimento para dentro da universidade, como protagonistas do ensino”, completou.
O projeto conta com parcerias importantes, como o IFAL de Marechal Deodoro e instituições culturais afro-indígenas, além da participação de mestres e lideranças tradicionais. Um dos destaques é o projeto Caminhos das Folhas, viabilizado por edital inédito voltado a povos de terreiro, com financiamento do Ministério da Igualdade Racial e da Fiocruz.
A pró-reitora de Extensão, Maria Rosa, enfatizou a relevância institucional do programa. “O Raízes Conectadas representa um avanço significativo para a extensão universitária da Uncisal, ao promover a integração entre ensino, pesquisa e saberes populares. É uma iniciativa que fortalece o compromisso da universidade com a justiça social, a valorização da diversidade e a construção de uma formação mais humana, crítica e inclusiva”, destacou.
Servidora da Uncisal há mais de 40 anos e apaixonada pelo universo das plantas, Keila Adiene foi convidada para ser a “madrinha” do espaço “Jardim de Ervas Sagradas”. Para ela, as plantas e pessoas é que dão vida ao ambiente. “A Universidade bem cuidada é linda, mas se tirarmos as pessoas de dentro dela não haverá vida Que todos nós possamos cuidar desse jardim porque ele é de todos nós”, disse.
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