
Ascom- MESM
Nos corredores da Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), unidade assistencial da Uncisal, ele é conhecido como Ticó, mas, quando o carnaval se aproxima, Manoel Nivaldo dos Santos se transforma no guardião de uma tradição que une arte, história e amor pelo samba. Servidor da casa há quatro décadas, Ticó é a alma criativa por trás dos estandartes que conduzem o bloco da MESM, uma missão que ele abraçou desde 2010.
O que torna o trabalho de Ticó único é o seu processo de criação. O estandarte da Santa Mônica é feito inteiramente à mão e sem o uso de costura. Do esboço inicial à finalização, cada detalhe passa pelas mãos do servidor.
Sobre o processo de criação autoral, Ticó faz questão de ressaltar a exclusividade de sua obra, já que ele não conta com nenhuma ajuda. "Tudo isso sou eu que produzo, quem faz tudo que tem no estandarte sou eu mesmo. Desde o desenho, do projeto, até a confecção do estandarte em si”, destacou o servidor.
O Bloco "Alô Mamãe"
A história do bloco da MESM também passa pela memória de Ticó. Ele relembra que, inicialmente, o bloco se chamava "Mamãe Sacode". O nome "Alô Mamãe" surgiu como uma homenagem a um antigo servidor da unidade, que atuava em uma rádio interna e utilizava o “Alô Mamãe” como bordão. A identidade do bloco foi reforçada por uma marchinha composta pelo próprio Ticó, que narra de forma lúdica à história de um bebê prematuro que nasce na Santa Mônica. Ticó fala com muito orgulho de sua marchinha, composta especialmente para o bloco. "Nossa marchinha fala mais ou menos assim: alô mamãe, alô mamãe, eu sou prematuro, por isso eu nasci na Santa Mônica", cantou o servidor.
Hoje, mesmo o bloco saindo em conjunto com o bloco da Uncisal, o estandarte de Ticó assegura que a Maternidade Escola Santa Mônica tenha seu destaque garantido e sua história respeitada na avenida. Para o servidor, a diferença entre fazer por fazer e fazer com amor é clara. “Sempre me perguntam por que a Santa Mônica tem o estandarte e as outras unidades da Uncisal não, mas eu sempre respondo que se as outras unidades tivessem um carnavalesco, elas fariam a mesma coisa que eu faço. O estandarte é o coração do carnaval de rua, do bloco e o que eu faço é um estandarte profissional”, destacou.
.jpeg)
Um legado de família
A paixão de Ticó pelo carnaval não nasceu nos corredores da maternidade, mas sim no berço. Ele carrega o legado de uma família de sambistas, sua mãe foi porta-bandeira e seu pai, mestre-sala da escola de samba "Unidos do Poço". O próprio Ticó ostenta, com orgulho, a marca de 54 anos como mestre-sala da escola de samba, uma responsabilidade que assumiu ainda jovem, aos 19 anos, como uma promessa feita ao pai.
Essa herança cultural se reflete na seriedade com que ele encara a folia na MESM. Para ele, o estandarte não é apenas um adereço, é a identidade profissional do bloco. Ele se orgulha de criar as peças que, ao serem levantadas, chamam a atenção de quem vê de fora.
Ao falar sobre a motivação que se renova a cada ano e o sentimento de manter essa tradição viva, Ticó explica que a criatividade é impulsionada pelo desejo de superação. “Quando vai chegando à época de carnaval, eu já venho com a mentalidade de dizer assim: vou fazer o estandarte, mas eu não quero aquele estandarte que eu saí no ano passado, vou fazer outro diferente”, disse Ticó.
Em 2027, Ticó levará seu talento para ainda mais longe, desfilando na escola de samba Beija-Flor, na cidade do Rio de Janeiro, para a qual foi convidado. Mas, por enquanto, é nas ruas próximas à MESM que seu brilho reflete a alegria dos servidores, mantendo viva uma tradição que é, acima de tudo, uma celebração da vida e da arte.
.jpeg)
