
Danielle Cândido
Retomar os estudos depois da maternidade faz parte das trajetórias que atravessam a universidade. No curso de Fisioterapia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Willia Vitória de Souza Pimentel viveu esse processo ao longo dos últimos anos, conciliando a formação acadêmica com a criação dos filhos, Annika, de 7 anos, e Alec, de 1 ano.
A estudante precisou reorganizar o percurso dentro da graduação após tirar licença-maternidade em 2024, período em que deu à luz ao filho mais novo. Com o retorno, passou a repor estágios e ajustar o cronograma acadêmico para conseguir concluir o curso em maio deste ano.
Vitória afirmou que a decisão de seguir estudando sempre esteve ligada à busca por melhores condições de vida. Segundo ela, a formação também carrega um valor simbólico dentro da própria família, ao representar exemplo para os filhos. Ela acrescentou que deseja que eles cresçam reconhecendo a importância dos estudos e da construção de uma profissão.
Conciliar as diferentes demandas, no entanto, exigiu planejamento constante. A estudante relatou que a rotina nunca foi simples e que sair de casa para a universidade envolvia uma série de ajustes, embora não tenha sido vivida como um peso ao longo do tempo.
“Nunca foi fácil. Alguns estudantes só precisam levantar e ir para a universidade, eu precisava fazer mil planos e alinhar todos os astros”, afirmou. Ao mesmo tempo, ela ressaltou que o período na Uncisal também foi marcado por aprendizados que ultrapassam a formação acadêmica.
O suporte institucional e familiar foi decisivo nesse processo. Vitória destacou o apoio da coordenação do curso, professores e equipe de estágio, além da rede de apoio formada por familiares, como mãe, avó, sogros e marido, que contribuíram para que ela conseguisse manter a rotina de estudos.

Para a estudante, chegar à conclusão do curso representa um marco coletivo. Ela avaliou que a trajetória foi construída com esforço contínuo, mas sem abrir mão do objetivo de seguir em frente, sendo percebida como conquista e alívio após superar as dificuldades ao longo do caminho.
Entre os momentos que sintetizam essa experiência, um gesto simples se tornou simbólico. Ao ver o jaleco da mãe, a filha mais velha reagiu com entusiasmo. “Quando o jaleco de profissional chegou, Annika vestiu e disse que queria um igual quando crescesse. Isso resume toda a trajetória”, relatou.
QUANDO A UNIVERSIDADE TAMBÉM É PONTO DE ENCONTRO

Se, para algumas estudantes, a universidade exige reorganização constante da rotina, para outras ela também se transforma em um espaço de convivência e proximidade. É o caso da estudante de Fonoaudiologia Gabriela Ferro de Alcântara, do 7º período, que compartilha o ambiente acadêmico com a mãe, Shirley Ferro Gomes de Alcântara, servidora do Centro de Patologia e Medicina Laboratorial (CPML) da Uncisal.
A proximidade interfere diretamente na experiência universitária. Gabriela afirmou que ter a mãe por perto facilita o dia a dia e cria uma rede de apoio imediata dentro da instituição, que se manifesta tanto em gestos simples quanto em momentos de maior necessidade. “Ajuda bastante ter alguém de casa sempre por perto, seja para trazer algo que esqueci, para tomar um sorvete no descanso ou para abraçar em um dia mais difícil”, contou.
Embora Shirley já tivesse contato com profissionais da área, a escolha pelo curso de Fonoaudiologia não foi previamente planejada pela filha. Com o tempo, no entanto, a convivência com esse ambiente passou a influenciar a forma como Gabriela enxerga sua formação e suas referências profissionais.
Um episódio simples resume essa relação. Em um dia em que perdeu o horário do almoço após um imprevisto com o transporte, a estudante encontrou a mãe na recepção da universidade com uma marmita pronta. “Ela me esperou enquanto eu comia; depois, fui para a aula, feliz e alimentada”, relembrou.

Shirley destacou que acompanhar a trajetória da filha dentro da mesma instituição permite observar de perto o desenvolvimento acadêmico. “A presença dela aqui amplia o significado da universidade na minha rotina”, afirmou. Ela relembrou, como momento marcante, a Cerimônia do Jaleco, que simboliza o início da prática profissional na área da saúde.
Segundo a servidora, ver a dedicação da filha ao longo do curso confirma a escolha feita. A avaliação se baseia nas experiências que a estudante compartilha das aulas e estágios, além do envolvimento com a formação.
Ao sintetizar essa convivência, Gabriela recorreu a uma definição direta sobre o papel da mãe em sua trajetória. “Mainha é meu maior apoio. É quem perde o sono para eu poder descansar, quem corre para eu caminhar”.
