
Mariane Rodrigues - Gazeta de Alagoas
A Palestra Magna ministrada pela reitora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Pollyanna Almeida, abriu o Gazeta Summit 2050 - Saúde Digital, realizado na manhã desta terça-feira (26), no Centro de Convenções de Maceió, no bairro do Jaraguá. Ela trouxe ao debate o tema “Transformação digital na Saúde Pública: a universidade como protagonista da inovação, do acesso e da inteligência do cuidado”. O evento, de iniciativa da Organização Arnon de Mello (OAM), reuniu especialistas para discutir problemas e soluções na saúde de Alagoas por meio do uso da tecnologia.
Para a reitora da Uncisal, Pollyanna Almeida, quando se fala em saúde digital, a universidade é protagonista, porque é na instituição de ensino que começam não só a criação da tecnologia, mas também as tomadas de decisão para construir mudanças significativas na população.
Ela considera que esse novo cenário na saúde, que inclui uma transformação digital, é irreversível. “Temos o uso da Inteligência Artificial como grande aliada, principalmente na melhoria dos diagnósticos e na celeridade dos resultados”, pontua a reitora, lembrando que, em alguns setores da universidade, há uma “explosão de dados em saúde”, mas são necessários profissionais capacitados para interpretar essas informações.
A reitora lembra alguns modelos tecnológicos já em uso, como o prontuário eletrônico e a telemedicina. Pollyanna Almeida afirma que a saúde executada pela Uncisal está completamente conectada. “Quando o paciente tem acesso aos exames e aos resultados, isso traz agilidade ao profissional e ao próprio paciente”, exemplifica.

Ela lembra que o Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior sistema público de saúde do mundo e, por isso, representa um desafio, pois é plenamente gratuito para toda a população brasileira e também para estrangeiros que estão em território nacional.
Ao abordar essa abrangência populacional, a reitora recorda pacientes e profissionais que atuam desde localidades ribeirinhas — necessitando pegar barcos e realizar até cinco dias de viagem até a unidade básica mais próxima, como acontece no Amazonas — até os grandes centros de referência.
Por causa dessa complexidade e das diferentes realidades regionais do Brasil, a reitora afirma ser fundamental haver uma integração digital para facilitar o acesso, diminuir as filas, melhorar o diagnóstico e acelerar o tratamento dos pacientes.
“Quando falo de SUS, falo dessa complexidade de atendimento, desses tantos ‘Brasis’ que existem, das grandes diferenças, das doenças e dos diferentes acometimentos nas várias regiões do país. A Uncisal realiza mais de 65% dos atendimentos especializados do nosso Estado. Então, ela está totalmente integrada a essa transformação na saúde e no atendimento à população alagoana”, afirmou Pollyanna Almeida.
Em 2025, Alagoas lançou o programa Saúde Até Você Digital. Segundo a reitora, desde o lançamento, já foram realizados mais de 100 mil downloads, o que é considerado um sucesso. “A Uncisal já vem discutindo essa integração dentro das nossas unidades assistenciais para também colaborar com essa plataforma, a partir da nossa expertise”, afirmou.
Almeida cita alguns números para expor a excelência da Uncisal. Ela afirma que a instituição possui nota 5 de avaliação e está entre as 20% melhores do país. “Temos muito orgulho de formar nossos profissionais já dentro desse contexto de inovação tecnológica.”
Ecossistema tecnológico
A reitora ressaltou que a Uncisal possui um ecossistema de saúde dentro da instituição, formado por profissionais e investimentos em pesquisa, o que possibilita encontrar soluções digitais para as necessidades da população e para o SUS.
Além disso, ela explica que a instituição não trabalha apenas desenvolvendo e aplicando tecnologias, mas também garantindo que a população tenha acesso contínuo a elas. Para isso, possui programas de extensão nos quais leva profissionais até os pacientes, ensinando como utilizar os programas criados.
Além de funcionar como universidade pública, a Uncisal também administra três hospitais: a Maternidade Escola Santa Mônica, o Hospital Escola Portugal Ramalho e o Hospital Escola Dr. Hélvio Auto. Além disso, administra o Centro de Patologia e Medicina Laboratorial, o Serviço de Verificação de Óbito, o Ambulatório de Especialidades Médicas da Uncisal, o Centro de Diagnósticos e Imagem, o Centro Especializado em Reabilitação e a Casa Fecha Feridas.
Na Casa Fecha Feridas, por exemplo, ela cita o uso da telemedicina, atendendo remotamente os pacientes e também trabalhando dessa forma na formação de profissionais em seus territórios. Assim, os pacientes não precisam se deslocar dos seus municípios para Maceió para tratar feridas, exceto em casos de emergência.
Outro exemplo de tecnologia citado por ela foi o desenvolvimento pioneiro de um aplicativo criado por um professor da instituição para o tratamento de feridas com o uso de Inteligência Artificial. Ela explica que o médico registra, por imagem, a ferida, e a IA faz uma avaliação, determinando quais caminhos o profissional deve seguir para tratar o problema. A tecnologia define se há necessidade de urgência — situação em que o paciente precisa se deslocar para o hospital ou até mesmo realizar uma amputação — ou se o tratamento pode ser feito em casa.
“Esse aplicativo é importante e representa um dos papéis da universidade, porque surge por meio do nosso núcleo de inovação e tecnologia e motiva toda a comunidade acadêmica a trazer soluções reais para os serviços de saúde”, pontuou a reitora.
Outro exemplo de tecnologia abordado por ela é o recebimento digital dos resultados dos exames, fazendo com que o paciente não precise retornar aos grandes centros para saber o diagnóstico, já que pode acessá-lo remotamente.
“Eles fazem os exames, recebem a data do resultado e realizam o acesso por conta própria. Isso traz agilidade, menor tempo de deslocamento, menor custo, menor tempo de espera e maior eficiência para o SUS”, pontuou.
Entre as perspectivas para o futuro em termos de tecnologia e saúde na universidade, ela afirmou esperar a ampliação da telemedicina, o monitoramento remoto dos pacientes, a integração de dados da saúde, a inteligência aplicada à gestão assistencial, a formação interdisciplinar, a pesquisa e a inovação tecnológica.

